Empreendedorismo 1 X 0 Emprego

12/03/13 Sebastião Cartaxo

Foto: Ana Patrícia AlmeidaDesde criancinha que minha vida é mudar. Meu pai era bancário e sua missão era abrir novas agências do BB pelas cidadezinhas do nordeste. Meus seis  irmãos são cada um de uma cidade. Tenho irmão piauiense, paraibano, sergipano, cearense e baiano.

Além de mudar de cidade, mudava de casa na mesma cidade. Em Salvador, quando finalmente meu pai estabilizou a questão das viagens, trocamos de casa umas dez vezes. Aí cresci e depois de grande, morei em Brasília, Rio, Salvador e continuo trocando de casas. Por isso que meu patrimônio é um notebook e um violão. E agora, um leitor de livros. Assim fica fácil carregar tudo de um lugar para outro.

Vieram os empregos. Em dez anos tive uma dúzia empregos. Empresas grandes, viu?  Petrobrás, por exemplo, passei em concurso, levei quase um ano sendo treinado e depois… trabalhei só um mês. Simplesmente eu não aguentava ir trabalhar na mesma coisa todos os dias. A Kombi da Petrobrás ia me pegar em casa. Um dia ela chegou e ficou buzinando na minha janela. Daí, muito preguiçosamente abri as cortinas e falei pro pessoal, o motorista e alguns colegas que já estavam lá: “Vão! Eu não vou mais.”. Depois vieram Telebahia, Coelba, Unibanco e etc. De todas elas eu saia sem ter ainda a próxima. Aí pelejava até conseguir outro trabalho novamente.

Estava claro que eu tinha de trabalhar por conta própria. Aí sim percebi que era possível ser feliz com o trabalho. Abri uma desenvolvedora de software e comecei a fazer software de todos os tipos. Adorava conversar com os clientes e depois chegar com a solução que eles estavam buscando. Minha primeira empresa cresceu, tive as maiores contas da Bahia contando comigo, contas dos fazendeiros de cacau, contas de indústrias do polo petroquímico, contas das construtoras. Mina empresa chegou a contar com mais de 20 desenvolvedores.

Lembram do Collor? Do Funaro? Do Bresser Pereira? Os mais velhos lembram. Estão associados a planos econômicos desastrados, que vieram um tentando consertar os erros do outro e acabaram comigo. No Plano Collor, confiscaram meu dinheiro e o dos meus clientes. Perdi quase todos os meus clientes do dia para a noite. Tive de fechar a empresa e pagar as rescisões. Vixe! Nem quero mais falar sobre isso.

Mas, o espírito estava vivo e passei a prestar consultorias sozinho. Deu pra resistir.

De uns anos para cá algumas palavras novas vieram enriquecer o vocabulário: inovação, empreendedorismo, startup. Era como se o mundo, que parecia inadequado para mim, agora estivesse mais receptivo.

Empreendi em várias frentes e o sucesso começou a tilintar aqui e ali.

O empreendimento do qual mais me orgulho é o MeuSoft, uma plataforma que inclui jovens de periferia no mercado do desenvolvimento de aplicativos. Lembram que cheguei a contar com 20 desenvolvedores na minha primeira empresa? Pois agora serão milhares. A plataforma capacita jovens em projetos sociais tornando-os meus sócios no negócio de vender aplicativos. Muito legal.

Ano passado(2012) ganhei um prêmio internacional com o MeuSoft. Fui considerado um dos quatro empreendedores sociais mais inovadores do mundo (busque por MeuSoft SAP).

Criar soluções inovadoras tornou-se uma obrigação no campo da informática. Novas tecnologias surgem à toda hora e exigem que você leve sua criatividade aos limites. O que já deu certo eu repasso para gestores que gostam de extrair o máximo de um negócio. E aquilo que ninguém sabe no que vai dar, é justamente nisso que invisto meu tempo.

Na minha passagem pelo Empreendedores Criativos trabalhei com um projeto para estimular as pessoas a contar seus sonhos. Seria um interlocutor virtual que ia conversar com as pessoas sobre seus sonhos de cada noite. Depois de muitas horas de exposição da ideia aos colegas e aos consultores do EC, e muito feedback, antes de me aventurar no desenvolvimento do aplicativo, resolvi criar um blog sobre a contagem de sonhos. Esse blog conquistou milhares de seguidores, entre os quais, alguns do tipo que pagariam para ter o aplicativo: os terapeutas e seus pacientes. Daqui mais um pouquinho o blog vai virar um empreendimento.

O que posso deduzir da minha vida de empreendedor é que estou permanente estado de startup. E isso faz muito bem ao espírito.

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